quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Paris!

Estou em Paris há quase dois meses e hoje me dei conta de que dei uma abandonada no blog. Por que? Talvez porque os últimos meses tenham sido corridos e porque como estou meio que fixada nessa cidade linda por exatos 90 dias, nem tenho a sensação de estar on the road.
Bobagem minha. Posso estar cada dia mais acostumada com a cidade, mas ainda sou uma estrangeira. E aos poucos vou começar a postar minhas impressões da cidades.


Por enquanto, só sei dizer que a cidade me surpreendeu com uma linda manifestacão pró casamento gaï em dezembro, me desapontou com as hordas de "senhoras de Santana" que vieram protestar contra, lideradas por uma figura midiática execrável cujo pseudônimo é Frigide Bardot, e deu a resposta no domigo passado.
Muita gente na Bastilha pedindo igualdade para suas opções pessoais.
Isso também é Paris. E estava "assim" de crianças fofas com suas famílias de tudo quanto é formato.

domingo, 16 de setembro de 2012

Espetáculo

Podemos viajar para ver um espetáculo? Eu adoraria. Se se fácil assim fosse, eu teria ido ontem até Lisboa, a mais perfeita das cidades. O espetáculo em questão era um monte de gente nas ruas para a manifestação "que se lixe a Troika".
Impossível não cantarolar Chico Buarque:

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente.



Há poucos espetáculos mais bonitos do que uma rua cheia de gente demandando o que é justo e de direito.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Hospedagem em Viena

Uqando decido viajar, a pergunta a seguir é sempre a mesma: onde dormir. Digo dormir e não me hospedar porque em cidades que mal conheço costumo ficar quase tempo nenhum "em casa". Mas isso pode ser um erro...Ainda bem que, instada por uma amiga, alugamos um apartamento. Tamanho exato, bonitinho sem firulas, confortável e bem localilzado - fora da área turística, mas a walking distance desta. Acabei atendo um probleminha de saúde, e aí foi de sua importância estar bem instalada. Além do óbvio: adoro brincar de casinha em cidades outras. Do pequeno apê eu ia pro mercadinho natureba comprar produtos "bio", pro mercadinho gourmet compar umas bebidinhas, pra tudo que precisava incluindo o indefectível u-bahn, metrô.
Preço? 90 euros por dia e dividimos por três. Meolhor relação moleza/benefício impossível.
Mas tive esse apê por uma semana apenas e dali me mudei para o Radisson Blu, em frente ao Stadtpark. As duas janelonas do quarto davam para o verde. Como reservei pelo infalível booking.com, paguei menos do que esperava por um hotel tão confortável. O quarto era enorme, com um banheiro muito bom e um frigobar for free. Ou seja, tinha sempre um suco, água ou cerveja à minha espera depois de um dia de baeção de perna. Dividido por dois: 40 euros per capita.
Ou seja, dentre outras qualidades, Viena, se comparada a outras capitais européias é bem barata. Não como Lisboa, claro, mas é barata para quem vive em Sampa!
Bom, depois de uns dias estava sozinha na cidade e precisei de um novo lugar. Como o Radisson Blu em cima da hora e sem o booking.com era outro preço, lá fui eu em busca de um teto. Pelo mesmo booking encontrei um hostel, a Pension Riedl. Pouco menos de 40 euros por dia, um quarto até bonitinho, com baheiro compartilhado, lá fui eu. Ao chegar, duas surpresas: estava só: ou seja, o banheiro era meu e a ducha era no quarto. Surpresa #2: era em uma pracinha preciosa e em frente ao edifício do correio projetado pelo Otto Wagner. Eu tinha desejo de passar o dia na janela.
Na vizinhança uma lojinha natureba (sou viciada nelas) que servia almoço; o MAK, museu de artes aplicadas e industriais; o Café Prückel, fundado em 1903, muito bom e até mesmo um restaurante asiático onde matei um pouco da minha saudade gastronômica do Vietnã.
Assim, com uma média de 35 euros por dia, pude ficar 14 dias em uma capital europeía. Pas mal. A partir disso, descobri que mesmo os hotéis estrelados são viáveis se agendados com um pouco de antecedência pelo booking.com.
Viena que me aguarde. Sei que ainda vou voltar.
Nas imagens abaixo, o correio e a entrada da Pension Riedl. Sinto que o Schorske me enganou qaunto à Ring, mas ele bem descreveu o que era a entrada de um prédio burguês do fin-de-siècle.



domingo, 9 de setembro de 2012

A casa do homem

Tenho uma irmã piscanalista e outra simpatizante. Mesmo não tendo frequentado divãs, o pensamento do freud é uma referência na vida. Talvez  a crença que restou para uma descrente.
Bem antes do meu embarque pra Viena já fui indagada se iria até a Bergasse. Berg o que, não tinha ainda me ligado nesse assunto. Mas é claro que era um dos programas imperdíveis, ainda mais depois de ter desgostado do filme do Cronemberg sobre Freud e Jung. Já conhecia a casa em Hampstead, Londres, e esta me esperava.
Na minha primeira tentativa atrasei tanto que ao chegar a casa estava fechando. O que Dr. Freud diria de quem se atrasou para o primeiro encontro? Muito, suponho. Mas depois de olhar tantas pinturas do Gustav Klimt era impossível não me render àquele clima de quando se discutia artes (no plural), política e sexualidade tudo num pacote só. Impossível não pensar em Freud ao olhar as frisas de Beethoven no edifício da Secessão. Assim sendo, voltei, desta feita com tempo.
É uma casa em um bairro aparazível perto do centro, de um braço do Danúbio e da universidade. Em meio a tantos predinhos baixos lá estava a casa do homem.
Adoro casas-museu. Algumas são muito fetichistas, capazes de guardar até papel de bala, mas esta não. É um templo para os estudiosos da piscanálise. Nem sei o que era mais interessante; os objetos e móveis ou os observadores. Alguns anotavam tudo, letra a letra. Para quem conhece bem deve ser um achado. A escrivaninha, o divã - claro! - as coleções de imageria africana.... as cartas, os escritos, os livros. Fotos e mais fotos. Só não pirei porque não leio bem em alemão, então fiz uma visita relativamente rápida, movida a curiosidade e admiração, mas não necessariamente a uma possibilidade de reflexão mais profunda. Contudo, em alguns momentos tinha a impressão de que estava diante da face pública do criador da psicanálise e em outros, de seus segredos, de seu inconsciente. Será que ele um dia imaginou seus objetos expostos? O que o encantou/instigou em cada um deles? Por que um certo afã colecionador? O que papéis e quinquilharia permitem ver?
Ao final, para deleite dos ignorantes, um filminho narrado por Anna Freud. Uma ode de admiração da filha ao pai, da psicanalista ao fundador.
Saí de lá e Viena me esperava com um sol luminoso. Sentei pra tomar um suco numa portinha qualquer, pensando que tinha feito uma breve visita a um cara que, valente e bizarro, desnaturalizou um tanto a nossa vida, nossos temores e impasses. Sempre penso que devemos uma a alguns personagens. Freud sem dúvida é um deles. O Aperol Spritzen daquele fim de tarde foi dedicado a ele.











sábado, 8 de setembro de 2012

Síndrome de abstinência e saudade de Viena

Foi preciso contemplar uma blue moon (a segunda lua cheia no mesmo mês) pra ficha cair: vi a lua cheia em Viena, em Lisboa, em Sampa et voilá, em Sampa de novo.
Um mês sem viajar, deu uma comichão, quase uma síndrome de abstinência. Deu vontade de estar em Viena.
Nesse sábado modorrento, lembro que lá tudo estaria fechado, exceto os museus e uns poucos restaurantes. No domingo então, nem pensar. Precisei de uma farmácia e precisei esperar até segunda. A quinta cidade do mundo em qualidade de vida, e a primeira européia, segundo me contaram outro dia, não tem comércio aberto no fim de semana. Será que eles são tão católicos assim ou a globlização avassaladora pulou essa cidade e segui em frente, rumo ao oriente? Comentei isso com a recepcionista do hotel que respondeu com uma pontinha de orgulho: "é, somos os últimos".
Se estivesse lá passaria a tarde no Stadtpark, o parque da cidade , que fica dentro da Ring, ou seja, da Innere Stadt, o centro histórico. É um parque divino, que corta um microcanal no Danúbio, com vegetação maravilhosa, calçada larga e arborizada em todos os lados e alguns lugares para se comer. O café do Steirereck foi uma boa recomendaçào do guia trendy da Wallpaper. Esse guia foi um bom complemento às informações que só mostravam um lado muito imperial de Viena.
O Steirereck (Am Heumarkt 28, mas o melhor mesmo é adentrar o parque e perguntar até achar) é um restaurante maravilhoso, mas quando lá estive não estava vestida para tanto. Assim, de havaianas e vestitdinho, fui ao café. O carro chefe é um prato com oito amostras dos melhores queijos austríacos, muito bons. Uma taça de espumante ou um suco, e um café pra arrematar e pronto: basta a vista do parque e mais nada pode pedir um final de tarde.




Na falta disso, acho que vou colocar uma roupa confortável e caminhar no lindo Parque Buenos Aires. E quem sabe comprar um Aperol pra fazer um Spritzen. Depois eu volto pra falar disso.
Nas imagens, a lua em Sampa, sobre um edifício do Otto Wagner e no Chiado. E o adorável parque.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Viena, vamos por partes. Ou melhor: por Lisboa

É um pouco difícil chegar em Viena. Não existe vôo direto do Brasil: é preciso ir por Paris, Zurique, Lisboa, Frankfurt ou, a melhor opção, Munique. Claro que isso pode ser sempre pretexto para uma agradável escala técnica em uma dessas cidades maravilhosas. Fui por Lisboa.
Meu avião pousou lá bem cedinho, o dia amanhecendo. Nunca vou me perdoar por ter deixado a câmera na mochila, pois o avião entroou voando baixinho na capital portuguesa, de modo que pude acompanhar: Torre de Belem, Jerônimos, Ponte 25 de abril, Baixa Manuelina... a Expo, Ponte Vasco da Gama, pousou, cheguei! Um presente de chegada num domingo de sol.
O desembaraço na imigração em Lisboa é sempre lento, e nesse dia chegaram dois vôos lotados ao mesmo tempo. Paciência, gafanhoto.... mas é sempre bom fazer esse procedimento em português e com funcionários que podem até fazer perguntas bizarras, mas são gentis -- eu me recuso, por exemplo, a entrar na Europa pela Espanha, depois de tantas narrativas de mau tratos no aeroporto de Barajas (de baratas, como diz um amigo que já penou por lá).
Como as malas seguiram direto pro destino final, foi um pipi, um café e um taxi: em minutos eu estava na Expo. Um taxi porque, desinformada, não sabia que a novidade é que agora o metrô de Lisboa vai até o aeroporto, ligando com a linha Oriente. Que maravilha, uma cidade com menos de 1 milhão de habitantes e o transporte nos trinques!
Chegar à Expo ao amanhecer é um presente dos deuses. O Tejo brilhava com o sol baixo, tinha muita gente caminhando, correndo, andando de bicicleta ou simplesmente tomando sol. Foi um lugar perfeito para uma recuperação das dez horas em classe econômica, quando mal dormi e dormi mal.
Um café esperto com um sanduichinho de queijo de cabra, um sumo de maçã enquanto esperava a atração do dia. Quando lá cheguei, surpresa: a fila era das boas. Dorminhoca que sou, sempre imagino que quando madrugo estou só, mas lisboetas e turistas já estavam por lá à espera daquela maravilha.
O Oceanário é lindo. Começamos por tartarugas, divinas, com aquele nado suave, de comover até mesmo uma brasileira que já foi muitas vezes às varias praias com a presença do Projeto Tamar. Esta era a exposição sazonal -- exposição sim, pois aquários, serpentários e zoológicos não deixam de ser museus de ciências.
O aquário propriamente dito é demais: as salas são divididas por espécies e por mares. Depois de muito tubarão, que me fizeram lembrar do meu filho pequeno no aquário de Edimburgo, começamos a ver as espécies dos diversos oceanos, um festival de cores e silêncio que dá vontade de nunca mais sair de lá. Sim, silêncio: eu pensava que se acreditasse em vidas passadas e futuras, desejaria voltar como peixe, pra passar a vida nadando em lindas coreografias, e desfrutando do silêncio.










Passei a manhã toda por lá e voltei ao aeroporto feliz, refeita. Pena que o vôo pra Viena atrasou: se soubesse disso antes, teria passeado mais pela Expo, arriscado um pouco.
De qualquer modo, um vôo breve, dessa vez com muito sono, e anoiteci em Viena.
Como sempre escrevo citando Lou: what a perfect day.
Nas imagens, o lindo amanhecer na Expo, com destaque para o pavilhão do arquiteto Alvaro Siza Vieira, a ponte Vasco da Gama e, claro, o aquário e suas criaturas.

sábado, 4 de agosto de 2012

Viena

Sonhei em ir pra Londres minha adolescência inteira, por causa do rock, claro. Mais tarde, passei a sonhar com Paris por vários motivos, com Nova York por fome de cosmopolistimo, como o oriente por curiosidade. Hoje sonho com a África e com lugares recônditos da América Central.
Nunca cheguei a sonhar com Viena. Com Praga sim, pois alguns diziam ser mais bonita que Paris, o que me parece quase impossível.
E Viena? Viena foi um sonho intelectual, por causa de um livro que li em 1989. Seu autor, o historiador Carl Schorske fez uma leitura da indissociabilidade de cultura, cidade e política que é muito do que eu penso dessas coisas até hoje. E Viena passou a significar um monte de personagens - Freud, Klimt, Schömberg - e um plano urbanístico conhecido como a Ringstrasse, rua do anel.
E lá fui eu atrás da Ring. E do Danúbio. Freud, Klimt etc. E de música, pois para mim Viena ecoaria a Mahler e Mozart a cada esquina.
Ao chegar, cadê a Ring?


Bom, o que se vê no mapa do final do século XIX ainda está lá. Mas o traçado que é bom, não se percebe. A Ring é uma junção de ruas e quando estamos em uma.. bem.... a outra está lá do outro lado! Exista mais no mapa, nessa quinta fachada que se tornou o googlemaps, mas não para os olhos e pernas de um pedestre. mas tudo o que ele contou sobre os edifícios permanece. Um parlamento estranho, pois quis ser um forum romano, mas é meio sem escala; uma belíssima igreja neogótica e uma prefeitura idem; um teatro elizabetano, uma universidade renascentista. Como eram literais os arquitetos do século XIX: direito é coisa de romano, assim deve ser o parlamento; igreja bombou na Idade Média, logo elas devem ser góticas etc. Nada muito distante do raciocínio da nossa Catedral da Sé, construída entre 1940 e 197o em estilo... gótico, ora.
Mas embora o grosso dessa cidade seja uma obra do século XIX, nem só disso vive Viena.
Nem só de um aspecto que me intrigou/irritou, e que agtribuí a alguns acharem que precisam ter um simbolo para turistas e seus suvenires: o culto à Sissi. Para mim, Sissi e Sissi e Imperatriz eram filmes de Sessão da Tarde na adolescência, aqueles que minhas amigas adoravam e eu fingia que gostava para não ser "do contra" desde a mais genra idade. Mas, jantando com um amigo já de volta, chegamos à conclusão que se trata mais de uma nostalgia do tempo em que a Áustria esteve no centro, se não do mundo, pelo menos da Europa Central.
Pois é.
Hoje Viena não é centro de nada e as consequências disso são simplesmente adoráveis. O tempo todo eu senti uma cidade boa para se viver, boa para quem ali vive e que, mientrastanto, recebe turistas e os trata bem. O comércio fecha no domingo, aliás já está fechado no sábado depois do almoço e depois das 19 horas nos dias de semana. Perguntei a uma vendedora de loja se era assim mesmo e ela disse com altivez: somos dos últimos! Certíssimos... nada de cidade que não dorme por conta de quem chega pra visitar, é tudo no ritmo local.
Abaixo, o parque da cidade, Stadtpark, cuja rua, Parkring, é parte da Ring. A cidade é um bocado verde.


O transporte é bom, embora eu tenha achado o metrô um pouco mal sinalizado. Mas é o mais limpo que já vi, de longe, vazio, preciso, pontual e tem até uma revistinha de bordo. Melhor do que andar de avião em certas companhias, tá? E deu até pra andar de ônibus em um dia em que fui visitar um bairro distante. Tudo funciona.
E a vida cultural é de parear com as tais grandes cidades. Museus e mais museus, de tudo e bem montados. Museografia esperta sempre. Arquitetura respeitada sempre.
Nossa, já estou com vontade de voltar.
Só senti um inesperado silêncio: por conta do festival de Salzburgo, a Orquestra Filarmônica de Viena não estava na cidade. E eu que sonhei em ouvi-la de perto, terei de voltar.
Volto depois. Essa primeira impressão é só o começo.

Acima, a entrada de um hostel onde fiquei. Depois volto pra falar de hospedagem, preços etc.